Osteoporose
e Fraturas.
A osteoporose é uma doença silenciosa — não dói, não aparece no espelho, mas pode transformar uma queda banal em um evento que muda toda a história do idoso. Entenda como diagnosticar, tratar e proteger seus ossos.
Dr. Paulo Meirelles
Geriatra — CRM-PR 44.968 | RQE 38.793
📅 Publicado em: 23 de Junho de 2026
O que é Osteoporose?
Osteoporose é uma doença que vai enfraquecendo os ossos aos poucos, sem que a pessoa sinta nada — até que uma queda simples causa uma fratura que não seria esperada. Pense no osso como um andaime: a osteoporose vai retirando as barras metálicas de dentro dele, deixando-o oco por fora, mas frágil por dentro.
Dado Epidemiológico
1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens
acima de 50 anos sofrerão fratura por osteoporose. Isso equivale, no Brasil, a milhões de famílias que precisarão lidar com essa realidade.
Nota do Especialista
"O problema não é a osteoporose em si — é a fratura que ela permite. Uma fratura de quadril em um idoso fragilizado tem mortalidade de 20% em 1 ano. Diagnosticar e tratar a osteoporose é, literalmente, salvar vidas."
Quais são os sintomas de osteoporose?
Na grande maioria dos casos, não existem sintomas de osteoporose nas fases iniciais. O osso vai ficando poroso e frágil de forma silenciosa. No entanto, quando a doença já está muito avançada, podem surgir alguns sinais de alerta:
- ✦ Redução de altura (o idoso fica visivelmente mais baixo com o passar dos anos).
- ✦ Postura encurvada para a frente (cifose).
- ✦ Dor nas costas súbita e intensa (geralmente causada por uma microfratura vertebral).
- ✦ Ocorrência de fratura óssea após um trauma mínimo (como bater a mão na mesa ou tossir).
Osteopenia vs. Osteoporose
O exame de densitometria óssea (DXA) — parecido com um raio-X leve e indolor — mede se seus ossos estão com densidade normal. O resultado vem como um número chamado T-score: quanto mais negativo, mais poros o osso tem e mais frágil ele está.
Normal
> −1,0
Seus ossos estão bem! Continue com exercícios, Cálcio e Vitamina D para manter assim.
Osteopenia
−1,0 a −2,5
Sinal de alerta: os ossos já perderam um pouco de resistência. Não é osteoporose ainda, mas é hora de agir — com orientação médica, dieta e exercícios.
Osteoporose
< −2,5
Os ossos estão frágeis e o risco de fratura é alto. Tratamento médico é necessário — e funciona muito bem quando iniciado cedo.
A densitometria óssea (DXA) não dói, demora cerca de 15 minutos e pode salvar a independência do idoso. Mulheres acima de 65 anos e homens acima de 70 anos devem fazer mesmo sem ter nenhum sintoma.
Fatores de Risco
Não dá para mudar — mas é bom saber
Sexo feminino pós-menopausa
Após a menopausa, o hormônio estrogênio cai muito. Esse hormônio "protegia" os ossos — sem ele, a perda óssea acelera de forma significativa.
Histórico familiar de osteoporose
Se a mãe ou avó fraturou o quadril, o risco da filha é o dobro. Importante contar para o médico.
Idade avançada
A densidade dos ossos começa a cair naturalmente a partir dos 30 anos. Por isso, idosos têm ossos naturalmente mais porosos — o que não significa que não dá para tratar.
Etnia branca ou asiática
Mulheres brancas e asiáticas têm, em geral, ossos menos densos do que outras etnias. Não é definitivo, mas é um fator a considerar na avaliação do risco.
Dá para mudar — e vale muito a pena!
Deficiência de Cálcio e Vitamina D
Cálcio é o "tijolo" do osso e Vitamina D é o que ajuda o corpo a absorver esse cálcio. Sem eles, o osso não se reconstrói direito.
Sedentarismo
Ossos precisam de impacto para ficarem fortes — é como se caminhar e fazer musculação enviasse um "sinal" para o osso se renovar. Sem exercício, o osso fica preguiçoso. Ver também: Sarcopenia.
Tabagismo e Alcoolismo
Cigarro e álcool em excesso prejudicam as células que constroem osso novo e impedem que o Cálcio seja absorvido corretamente.
Uso crônico de corticoides
Remédios à base de cortisona (como Prednisona), quando usados por mais de 3 meses, enfraquecem o osso rapidamente. Converse com o médico sobre como proteger os ossos enquanto usa esses medicamentos.
Hipogonadismo não tratado
A falta de hormônios sexuais — tanto em mulheres quanto em homens — acelera a perda óssea. Ter os hormônios em níveis adequados é protetor para os ossos.
Como é feito o Diagnóstico?
O geriatra usa três ferramentas para entender o estado dos ossos e o risco de fratura — de forma simples, indolor e personalizada:
Densitometria Óssea (DXA)
Padrão-Ouro
Imagine uma "radiografia especial" que mede o quanto seus ossos pesam por centímetro quadrado — sem dor, em menos de 15 minutos e com radiação mínima. O resultado (T-score) diz exatamente em que situação os seus ossos estão.
FRAX
Risco de Fratura em 10 Anos
O FRAX é um cálculo feito pelo médico que responde à pergunta: "Qual a chance dessa pessoa fraturar um osso nos próximos 10 anos?" Leva em conta a idade, peso, histórico familiar, medicamentos e outros fatores. Ajuda o médico a decidir se é hora de iniciar um tratamento mais forte.
Exames de Sangue
Investigação de Causas Secundárias
O médico pede Cálcio, Vitamina D e outros exames para entender se existe alguma causa tratável para a perda óssea — como deficiências nutricionais ou problemas em outros órgãos. Esses exames simples de sangue podem mudar completamente o tratamento.
Tratamento
Não existe receita única para todos. O geriatra monta o tratamento como um "pacote personalizado" — cada pessoa tem necessidades diferentes dependendo da gravidade dos ossos, dos remédios que já toma e das condições de saúde.
🥛 Suplementação Essencial
Cálcio 1000–1200 mg/dia (preferencialmente pela dieta) e Vitamina D 800–2000 UI/dia. São a base de tudo: sem Cálcio e Vitamina D, os remédios mais fortes perdem muito de sua eficácia. Pense neles como o "solo fértil" antes de plantar.
Bisfosfonatos
Alendronato (oral semanal) e Zoledronato (infusão anual) são os antirreabsortivos mais usados. Esses remédios freiam as células que destroem o osso — fazendo com que o osso se mantenha mais denso e o risco de fratura caia pela metade.
Denosumab
Uma injeção aplicada a cada 6 meses (no consultório ou em casa). Indicado para casos mais graves, quando outros remédios não podem ser usados. Muito eficaz para reduzir fraturas na coluna e no quadril.
Teriparatida
Diferente dos outros, a Teriparatida não apenas "freia" a perda de osso — ela estimula o corpo a construir osso novo. É uma injeção diária reservada para os casos mais graves, quando o osso já foi muito comprometido.
🏃 Exercícios de Resistência e Impacto
Caminhar, musculação e exercícios com impacto "avisam" os ossos de que precisam ser fortes. São complementos insubstituíveis ao tratamento medicamentoso. Combinados ao fortalecimento muscular, também reduzem o risco de quedas — a principal causa de fratura no idoso. Dica prática: caminhar ao sol (que ainda produz Vitamina D!) e fazer musculação adaptada são as melhores atividades. Converse com o médico sobre o que é seguro para o seu caso.
Dúvidas Comuns
O que é osteoporose?
Osteoporose é uma doença metabólica óssea caracterizada pela redução da densidade mineral óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, tornando os ossos frágeis e suscetíveis a fraturas. No Brasil, afeta cerca de 10 milhões de pessoas, sendo mais prevalente em mulheres após a menopausa e em homens acima dos 70 anos.
Qual a diferença entre osteoporose e osteopenia?
Osteopenia é a redução moderada da densidade óssea, um estágio anterior à osteoporose. A classificação é feita pelo exame de densitometria óssea (DXA): T-score entre -1,0 e -2,5 indica osteopenia; abaixo de -2,5, osteoporose. Mesmo com osteopenia, já há risco aumentado de fratura, especialmente com outros fatores de risco presentes.
Como é feito o diagnóstico de osteoporose?
O diagnóstico é feito pela densitometria óssea (DXA), que mede a densidade mineral óssea em coluna lombar e fêmur. O geriatra também utiliza o FRAX (Fracture Risk Assessment Tool), que calcula o risco de fratura em 10 anos considerando múltiplos fatores clínicos, mesmo sem o DXA. Exames de sangue avaliam Cálcio, Vitamina D e marcadores de remodelação óssea.
Quais são os tratamentos para osteoporose?
O tratamento inclui: suplementação de Cálcio (1000–1200 mg/dia) e Vitamina D (800–2000 UI/dia), medicamentos antirreabsortivos (bisfosfonatos como Alendronato e Zoledronato; Denosumab), medicamentos anabólicos (Teriparatida) para casos graves, exercícios de resistência e impacto para fortalecer os ossos, e prevenção de quedas. A escolha é individualizada pelo médico.
A osteoporose causa dor?
A osteoporose em si não causa dor — ela é silenciosa. A dor aparece quando ocorre uma fratura, especialmente as fraturas vertebrais por compressão, que podem ocorrer com traumas mínimos (sentar com força, tossir) e causam dor aguda nas costas. Fraturas de quadril, uma emergência geriátrica, são a complicação mais grave. Veja nosso guia sobre prevenção de quedas.
Homens também desenvolvem osteoporose?
Sim. Embora mais comum em mulheres, a osteoporose acomete 1 em cada 5 homens acima de 50 anos. Em homens, os principais fatores de risco são: deficiência de testosterona, uso de corticoides, alcoolismo, tabagismo e imobilidade prolongada. A doença é frequentemente subdiagnosticada no sexo masculino.
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